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Clayton Barros no centro do Recife Antigo. Foto: Fred Jordão/Divulgação

Clayton Barros estreia carreira solo com álbum Primitivo Atemporal

Um dos fundadores do Cordel do Fogo Encantado, o violonista Clayton Barros inicia uma nova fase da carreira com o lançamento de Primitivo Atemporal, seu primeiro álbum solo. O disco, lançado em parceria com o selo Estelita, propõe uma reflexão sobre o Sertão nordestino ao unir tradição, ancestralidade e futurismo em uma obra que atravessa diferentes estilos musicais.

Produzido pelo próprio artista, o álbum conta com mixagem, arranjos e masterização de Felipe Weinberg, além das participações especiais de BNegão, Flaira Ferro e Jessica Caitano.

Um álbum entre a ancestralidade e o futuro

Em Primitivo Atemporal, Clayton Barros utiliza a imagem de um vaqueiro de gibão montado em uma motocicleta para representar o encontro entre o passado e o futuro do Sertão.

Segundo o músico, o conceito do disco nasce da ideia de que os conhecimentos ancestrais permanecem vivos mesmo em uma sociedade cada vez mais tecnológica.

“O termo ‘Primitivo’ abrange a história do sertão e do seu povo. Já ‘Atemporal’ evidencia como esse conhecimento nunca envelhece, mesmo diante das tecnologias modernas.”

O álbum percorre temas como os povos originários, miscigenação, espiritualidade, relação com a natureza, identidade sertaneja e os impactos das transformações sociais ao longo do tempo.

Mistura de ritmos marca o novo trabalho

A sonoridade de Primitivo Atemporal passeia por diversos gêneros musicais.

Ao longo das faixas, o violão — marca registrada de Clayton Barros — conduz arranjos que incorporam elementos de:

  • MPB
  • Rock
  • Baião
  • Repente
  • Samba
  • Rap
  • Funk
  • Música eletrônica

Essa diversidade reflete a trajetória do artista e sua formação musical, construída entre manifestações populares do Sertão e influências da música brasileira.

Arcoverde inspira as composições

Natural de Arcoverde (PE), cidade localizada no Sertão do Moxotó, Clayton transforma suas memórias e vivências em parte essencial do álbum.

Na faixa “Rio de Janeiro/Moxotó”, composta em parceria com André Zahar, o músico cria uma ponte simbólica entre o Sertão pernambucano e a capital fluminense.

A canção mistura violão, percussão, beats eletrônicos e samples para refletir sobre urbanização, identidade e as mudanças provocadas pelo avanço das cidades, contando ainda com participação de Tonino Arcoverde nos backing vocals.

Da Cordel do Fogo Encantado à carreira solo

Clayton Barros iniciou sua trajetória musical aos 16 anos, tocando em bares de Arcoverde. Pouco tempo depois, ao lado de José Paes de Lira, fundou o Cordel do Fogo Encantado, grupo que se tornou uma das maiores referências da música brasileira contemporânea ao unir poesia, teatro e ritmos nordestinos.

Agora, em sua estreia solo, o músico amplia essa identidade artística sem abrir mão das raízes que marcaram sua carreira.

BNegão participa da faixa-título

Entre os destaques do disco está a música “Primitivo Atemporal”, que conta com participação de BNegão.

A composição revisita o período das Entradas e Bandeiras, abordando a invasão do Sertão durante os séculos XVI e XVII, o massacre dos povos originários e a resistência das populações sertanejas.

A faixa sintetiza a proposta do álbum ao conectar acontecimentos históricos com reflexões sobre o presente e o futuro do Nordeste brasileiro.

Link de pre-save: https://bfan.link/primitivo-atemporal-1

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