Horney inicia uma nova fase com o lançamento de Anti-Raso, EP que marca a primeira apresentação completa da banda com uma identidade artística construída integralmente em português. Com quatro faixas e participação de Dani Buarque, da The Mönic, o trabalho aborda superficialidade, hiperconectividade, relações humanas, ansiedade e a busca por uma vida mais autêntica.
Nascida em Joinville, Santa Catarina, e atualmente radicada em São Paulo, a banda conta com distribuição digital da Algohits. O conceito do EP parte da ideia de questionar comportamentos e relações moldados pela pressa e pelo excesso de estímulos.
“Ser anti-raso é ser profundo ao ponto de não ser tão fácil de controlar”, resume Duda Maiolini, vocalista, guitarrista e compositora da Horney.
Ouça Anti-Raso: algohits.com/horney-anti-raso
Horney transforma superficialidade em conceito
O EP reúne as faixas “Off!”, “Quebra-Cabeça”, “Mergulhar” e “Romântica”. Apesar de partirem de situações diferentes, as quatro músicas se conectam pela crítica à superficialidade e à forma como a hiperconectividade e o acesso imediato ao prazer podem afetar a capacidade de pensar, criar e estabelecer relações.
Segundo Duda, o conceito de Anti-Raso representa justamente aquilo que a banda rejeita: uma existência conduzida por comandos, padrões e respostas automáticas.
“Mergulhar mais fundo nos desejos faz com que você entenda melhor os seus porquês e também os dos outros. Assim, fica mais capacitado para formular opiniões, pensar e existir como indivíduo, em vez de ser apenas um dado que responde a comandos.”
Musicalmente, a Horney trabalha com o contraste entre água e eletricidade. Guitarras distorcidas, baixo marcado e bateria explosiva aparecem ao lado de momentos contemplativos, mudanças de dinâmica e letras mais vulneráveis.
As quatro faixas de Anti-Raso
Primeiro single da Horney em português, “Off!” foi lançado no fim de 2025 e aborda os impactos da conexão permanente sobre as relações sociais e a saúde física e mental. A música questiona um sistema que transforma cansaço, ansiedade e sensação de insuficiência em consumo e produtividade.
A faixa também ganhou videoclipe.
Já “Quebra-Cabeça”, que conta com participação de Dani Buarque, da The Mönic, aborda a construção da identidade em meio a padrões estéticos e expectativas externas. A música utiliza o espelho e a água como símbolos de diferentes formas de enxergar a própria imagem.
“A ideia é dar voz a sentimentos e questões dos quais muitas vezes a gente prefere fugir. O herói que esperamos está preso em nosso próprio reflexo. Somos reféns dos nossos medos e da escolha de escapar, em vez de encarar que nós somos aqueles que podem e devem nos salvar”, explica Duda.
A canção também estabelece uma relação com a figura de Narciso, mas desloca o mito para uma reflexão sobre identidade e autoconhecimento. A participação de Dani Buarque amplia a perspectiva individual da faixa para uma dimensão coletiva.
Em “Mergulhar”, a Horney leva a proposta do EP para os relacionamentos amorosos. A música fala sobre a disposição de entrar no desconhecido de outra pessoa, mesmo sem garantias de permanência, e sobre como uma experiência pode transformar quem a vive independentemente de seu desfecho.
Fechando o EP, “Romântica” assume uma abordagem mais irônica. Definida por Duda como o “alívio cômico” de Anti-Raso, a faixa critica aplicativos de relacionamento e a cultura do descarte ao comparar pessoas a produtos disponíveis em um catálogo.
“Quero ser romântica no século da putaria. Vamos nos amar e construir histórias para que a gente não se arrependa de não ter vivido.”
Horney mistura rock alternativo e pop eletrônico
A sonoridade da Horney combina referências do rock alternativo dos anos 1990 e 2000 com elementos do pop eletrônico contemporâneo. Guitarras pesadas, bateria explosiva e mudanças de intensidade convivem com melodias diretas, texturas eletrônicas e camadas vocais.
Entre as referências citadas por Duda estão Nirvana, Linkin Park, Foo Fighters, Queens of the Stone Age e The Strokes, além de Charli XCX e Billie Eilish. No Brasil, Rita Lee e Os Mutantes aparecem como referências de liberdade criativa. Beatles e Paul McCartney também fazem parte do repertório de influências da banda.
“Eu diria que é como se Nirvana e Linkin Park tivessem um bebê”, define Duda ao explicar a combinação entre peso, vulnerabilidade e melodias da Horney.
Criolo acompanhou gravação de “Quebra-Cabeça”
Anti-Raso foi captado e produzido por Fernando Sanches, no Estúdio El Rocha, em São Paulo. A mixagem e a masterização ficaram a cargo de Ítalo Nonato.
Durante a gravação de “Quebra-Cabeça”, a banda teve um encontro inesperado com Criolo, que estava no estúdio acompanhado de Rael e Mano Brown para um ensaio. Após conversar com Fernando Sanches, o rapper ouviu a faixa e, segundo Duda, comentou sobre a identidade própria da música, os arranjos vocais e o rock brasileiro.
Criolo também incentivou a banda a preservar sua essência. Antes de deixar o estúdio, chamou um fotógrafo que acompanhava o ensaio para registrar o encontro em uma câmera analógica. A ideia é que a fotografia seja entregue quando os artistas se encontrarem novamente no futuro.
Horney prepara primeiro álbum com formação atual
Formada em Joinville em 2018, a Horney consolidou sua mudança para São Paulo em 2025. Atualmente, a banda é formada por Duda Maiolini (voz e guitarra), Rafael Bello (bateria), Duda Freitas (guitarra) e Gabriel Santolin (baixo).
Enquanto apresenta Anti-Raso, o grupo já trabalha no próximo passo: um álbum completo desenvolvido pelos quatro integrantes desde o início do processo criativo.
Ainda sem título ou data de lançamento anunciados, o futuro disco deve aprofundar temas presentes no EP, como identidade, desejos, relações humanas e as máscaras construídas para circular em sociedade.
Ficha técnica
Captação e gravação: Fernando Sanches
Mixagem e masterização: Ítalo Nonato
Voz, guitarra, violões e composição: Duda Maiolini
Bateria e composição: Rafael Bello
Baixo: João Duarte
Arte de capa: Gustavo Zanqueti
Selo e distribuição: ℗ 2026 Algohits
