O hard rock segue mais vivo do que nunca e o Lansdowne prova isso com força total.
A banda norte-americana retorna com Wish You Well, um álbum que não apenas reafirma sua identidade, mas também marca um momento de maturidade artística e emocional. Entre riffs marcantes, refrões explosivos e letras carregadas de significado, o novo trabalho mostra um grupo que evoluiu sem perder a essência, transformando vivências pessoais em músicas que conectam diretamente com o público.
Pergunta:
Primeiro, queria dizer que foi um prazer conhecer vocês. Eu ouvi todas as músicas e gostei muito, então vai ser uma ótima conversa. Para começar, queria saber um pouco mais sobre o álbum que vocês estão lançando agora. O que vocês acham que é o principal diferencial no som desse novo trabalho? Vocês sempre tiveram riffs marcantes, vocais fortes e uma bateria poderosa, como uma grande banda de rock precisa ter. Qual é a diferença desse álbum em relação aos anteriores?
Resposta:
Acho que houve muita evolução ao longo do tempo. Ainda é algo essencialmente característico do Lansdowne, mas existe claramente uma evolução e uma maturidade maior, não só nas letras, mas também na composição. Estamos muito orgulhosos desse álbum.
Pergunta:
Dá para perceber essa evolução ouvindo as músicas, isso é muito legal. Sobre o som novamente: essa evolução é algo planejado por vocês ou acontece de forma natural? E como funciona o processo de composição?
Resposta:
Antes desse álbum, ao longo dos anos desde “Blue Collar Revolver”, nós experimentamos diferentes sonoridades. Mas neste trabalho sentimos que era importante voltar ao centro, ao som com o qual as pessoas cresceram ouvindo Lansdowne, só que de uma forma mais moderna e evoluída.
Sobre a composição, normalmente o John traz uma ideia inicial, seja uma letra ou uma melodia, às vezes até em um áudio simples. A partir disso, eu começo a construir riffs e desenvolver a música. Neste álbum, usamos diferentes abordagens, mas tudo veio de um momento da nossa vida em que estamos crescendo como pessoas, formando famílias, nos tornando pais, evoluindo como homens e parceiros, além de fortalecer nossa relação como banda. Tudo isso aparece nas músicas.
Pergunta:
Falando agora do single “Rescue”, o que fez vocês escolherem essa música?
Resposta:
Essa música se destacou muito para nós. Ela aborda um tema importante: saúde mental, especialmente dentro do rock, onde muitas vezes esse assunto ainda é evitado, principalmente entre homens.
Queríamos ajudar a normalizar a ideia de pedir ajuda, de se abrir, mas também de estar pronto para aceitar ajuda e amor. Além disso, musicalmente, a música tem um refrão grande, explosivo e muito fácil de cantar junto, o que a torna bastante marcante.
Quando enviamos as demos para o selo e para amigos, todos apontaram que essa música era especial. Por isso, decidimos apostar nela como single e levá-la para o rádio.
Pergunta:
Falando sobre a fase atual da banda, especialmente depois de conquistas como “Burn It Down” alcançar o primeiro lugar na Alemanha, como vocês enxergam esse novo momento? Quais são os próximos planos e onde vocês querem chegar?
Resposta:
Essa nova fase tem sido incrível. Estamos em turnê na Europa e a resposta do público tem sido surpreendente. Já estamos no sétimo show esgotado da turnê, algo que nem imaginávamos possível no ano passado.
Queremos continuar crescendo, expandindo para outros países. O Brasil está no topo da nossa lista. Pelos dados de streaming, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro sempre aparecem com números altos, então sabemos que há uma base de fãs forte aí. Nosso objetivo é ir para o Brasil o quanto antes.
Pergunta:
Eu ia perguntar justamente isso, porque os comentários de “come to Brazil” já devem estar aparecendo bastante.
Resposta:
Sim, com certeza. Temos uma equipe incrível no Brasil que tem ajudado muito a divulgar a banda. Esse movimento começou de forma parecida com o que aconteceu na Alemanha: playlists, primeiros shows, crescimento gradual e agora estamos esgotando shows por lá.
Além disso, como fãs e músicos, vemos que a resposta ao rock no Brasil é diferente, muito intensa. Temos muita vontade de viver essa experiência.
Pergunta:
Vocês são conhecidos pela energia ao vivo, e o público brasileiro também. Acho que seria uma combinação perfeita.
Agora, pensando em novos fãs: se alguém fosse conhecer a banda agora, quais duas ou três músicas vocês recomendariam para entender a essência do Lansdowne?
Resposta:
Eu focaria no álbum novo. “Rescue” seria uma escolha principal, porque tem um riff forte que chama atenção, combinado com uma melodia vocal grande e fácil de cantar. Isso ajuda a conectar pessoas de diferentes países, mesmo quando o inglês não é a língua principal.
Eu também indicaria “Now That You’re Gone”. Sempre tivemos esse contraste: músicas mais pesadas e energéticas e também baladas mais emocionais. Essa música representa bem esse lado mais sensível da banda.
Se alguém ouvir “Rescue” e “Now That You’re Gone”, já vai ter uma boa ideia do que somos e provavelmente vai querer ouvir mais e assistir a um show.
Pergunta:
Dá para perceber claramente essa nova fase de vocês, com ótimas músicas e muita energia.
Voltando à composição: músicas como “Rescue” abordam temas mais profundos, como lutas internas e saúde mental. Essas letras vêm de experiências pessoais ou são mais baseadas em sentimentos e histórias que vocês querem contar?
Resposta:
É uma combinação dos dois. Muitas músicas começam a partir de experiências pessoais do John como compositor e vocalista. Mas algo que mudou muito neste álbum foram as conversas com os fãs.
As histórias deles passaram a influenciar bastante nossas músicas. Não é mais só a experiência individual, mas também o que ouvimos das pessoas ao longo dos anos. Isso torna as músicas mais universais, algo que qualquer um pode sentir e interpretar.
Depois de 20 anos de banda e turnês internacionais, ouvimos histórias incríveis. Esse álbum traz muito essa ideia de que, mesmo passando por momentos difíceis, existe algo positivo no final você sai mais forte. E isso é algo com que todos podem se identificar.
Pergunta:
Para finalizar, queria agradecer pela conversa. Estou torcendo muito pelo sucesso do álbum. Vocês têm alguma mensagem para os fãs brasileiros?
Resposta:
Nossa mensagem é simples: nós vamos para o Brasil. Ainda não sabemos quando, mas vamos dar um jeito de fazer isso acontecer.
Entrevista por Matheus Augusto Daniele
