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Terminal Guadalupe lança “Ensaio Sobre a Urgência” e transforma tensão do presente em canção

A banda curitibana Terminal Guadalupe lança seu sexto álbum de estúdio, “Ensaio Sobre a Urgência”, trabalho que transforma acontecimentos contemporâneos, conflitos sociais e o clima político de 2026 em dez faixas produzidas a partir do conceito de instant songs: canções criadas no calor dos acontecimentos. O disco foi lançado pelo selo 8-Bics, com distribuição da Tratore.

Ouça “Ensaio Sobre a Urgência”:
https://tratore.ffm.to/tgurgencia

O novo álbum mantém a abordagem crítica que acompanha a trajetória do Terminal Guadalupe, mas aposta em diferentes linguagens musicais para tratar dos temas que atravessam o projeto. A banda combina rock alternativo e referências de nomes como System of a Down, Gang of Four, U2 e Bad Religion, passando também por elementos de rock latino, glam rock, pop e outras sonoridades.

O disco nasceu durante um período marcado pelo debate eleitoral de 2026 e pela discussão sobre o avanço de pautas ultraconservadoras, contexto que serviu de ponto de partida para parte das composições. Segundo a apresentação do próprio projeto, a banda procura abordar essas questões por meio de ironia, afeto e reflexão social, sem transformar o álbum em um trabalho exclusivamente panfletário.

Um álbum feito à distância

A produção de “Ensaio Sobre a Urgência” ficou a cargo de Allan Yokohama e Dary Jr.. O processo foi realizado de maneira remota e doméstica: cada integrante recebeu as composições e registrou suas partes em seu próprio espaço de gravação.

A escolha por uma produção mais artesanal acabou incorporada à proposta estética do disco. A intenção era preservar a espontaneidade das gravações e criar músicas capazes de responder ao momento enquanto os acontecimentos ainda estavam em curso.

O jornalista e crítico musical Ricardo Schott destacou justamente esse aspecto do trabalho, apontando a maneira como as limitações do processo remoto foram incorporadas à proposta do álbum.

As faixas de “Ensaio Sobre a Urgência”

Entre as dez músicas, “O Bebê de Mussolini” funciona como um dos principais cartões de visita do álbum. A faixa reúne referências de System of a Down, Gang of Four, U2 e Bad Religion e aborda a circulação de discursos associados ao fascismo e à extrema-direita no ambiente digital e político.

Já “Mundo Sin Dueño” aposta em uma sonoridade de rock latino dos anos 1990, com influência dos Pixies, enquanto “Love Me Like Gold” combina elementos de glam rock e pop dos anos 2000 em uma composição de caráter satírico sobre um político norte-americano.

A relação entre música e acontecimentos recentes também aparece em outras faixas. “Cristão, Esposo, Pai e Patriota” transforma um caso de violência ocorrido em Belo Horizonte em narrativa musical, enquanto “Dia dos Berços” aborda a tragédia palestina a partir de uma construção próxima ao rock progressivo.

O repertório ainda passa por referências à polarização política, tecnologia, conflitos internacionais e outros acontecimentos que atravessam o cotidiano contemporâneo.

Nova formação do Terminal Guadalupe

Para este trabalho, o Terminal Guadalupe reúne Dary Jr. nos vocais e Allan Yokohama nas guitarras, violões, teclados e vocais. A formação é completada pelos músicos convidados Gabe Salmazo, no baixo, escaleta e vocais, e Luciano Vassão, na bateria.

A mixagem e a masterização foram realizadas por Matheus Bittencourt, no estúdio Casa do Fundo, em Curitiba. A identidade visual do álbum é assinada por Maurício Peixoto.

“Ensaio Sobre a Urgência” sucede “Serenata de Amor Próprio”, álbum lançado em 2025 que apareceu na lista dos 100 melhores discos do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), segundo a divulgação da banda e fontes sobre sua trajetória recente.

Com dez faixas criadas a partir da observação do presente, o novo trabalho reafirma a proposta do Terminal Guadalupe de transformar acontecimentos sociais e políticos em matéria-prima para o rock, agora em um álbum construído com gravações domésticas, diferentes referências musicais e uma abordagem marcada pela urgência do próprio processo criativo.

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