Em entrevista exclusiva, conversamos com a banda sobre o novo álbum “A.R.S.O.N.”, um trabalho que chega mais pesado e emocional, mas sem fórmulas pré-definidas. O grupo falou sobre o processo criativo, a colaboração com Jacoby Shaddix, a conexão com os fãs brasileiros e revelou suas faixas favoritas do disco.
“A.R.S.O.N.” soa mais pesado e emocional. O que inspirou este álbum?
Ryan: Tenho falado bastante sobre isso nas entrevistas. Sinto que, nos últimos dois discos, não houve muitas decisões calculadas sobre se seria mais pesado, mais calmo ou mais suave. A gente simplesmente deixa sair o que precisa sair. Falando por mim, toda vez que começo uma sessão de composição com um objetivo muito específico, nunca fica bom. Então eu só sento e deixo fluir, de qualquer forma que o processo aconteça. O que sai naquele dia é o que sai.
Mesmo quando entramos em estúdio para trabalhar letras, melodias e colaborar, não houve conversa do tipo: “Ok, nessa música vamos tentar ser mais agressivos.” Você só pega a guitarra e começa a fazer música e ela simplesmente acontece.
Dan: Desde que a gente goste, é isso que importa. Ficamos numa sala escrevendo até pensar: “Isso ficou legal.” Não é algo excessivamente planejado. Dessa vez, simplesmente aconteceu de as coisas mais pesadas estarem funcionando melhor, então seguimos nessa direção.
E como foi o processo de composição? Ele é sempre tão natural assim?
Ryan: Sim, no fim das contas é sobre a melhor música vencer. Neste disco, as músicas que achamos melhores e mais significativas coincidentemente eram as mais pesadas. Mas não planejamos fazer um álbum mais pesado, simplesmente aconteceu.
Dan: Na maior parte, o disco nem é tão pesado assim. Só que algumas das músicas maiores acabaram sendo pesadas e todo mundo fala que é o trabalho mais pesado de todos. Mas sempre tivemos músicas pesadas. Sempre fizemos um pouco de tudo. Somos uma banda que consegue transitar por vários estilos. “Gasoline” acabou sendo uma música grande e pesada com um refrão muito marcante, e por isso foi a primeira que lançamos.
Houve alguma música que foi especialmente difícil de finalizar?
Ryan: Todas as que foram difíceis demais de terminar, a gente simplesmente não terminou, nós descartamos.
Dan: Sempre existem músicas difíceis de finalizar. O Ryan normalmente escreve mais de 50 demos por disco, então há muitas ideias que não chegam ao fim. Dito isso, várias músicas do álbum foram regravadas e reescritas muitas vezes. “Disconnected”, por exemplo, teve um refrão e um verso completamente diferentes no início. A gente retrabalha muito no estúdio.
Às vezes passamos duas semanas e pensamos: “Isso não está bom o suficiente”, e reescrevemos. Isso acontece bastante.
Ryan: No passado especialmente comigo eu pensava: “Esse riff de guitarra é muito bom, a gente só precisa de uma letra boa.” Mas forçar músicas nunca funciona. Antes insistíamos e elas acabavam ficando apenas ok Agora é diferente: se em alguns minutos não surge uma melodia vocal natural, abandonamos e seguimos em frente.
Agora que o álbum está no mundo, existe alguma faixa da qual você se orgulha especialmente?
Dan: Nós amamos todas as músicas por motivos diferentes, caso contrário elas não estariam no disco.
Mas acho que “3AM” é minha favorita do álbum.
Ryan: Também é a minha! Eu também gosto muito da última faixa, “I Don’t Want To Feel Like This Anymore”. Quanto mais velho fico, mais me conecto com letras. Elas são muito mais importantes para mim hoje do que quando eu era mais novo. Antes era tudo sobre guitarra e sobre ter um mosh pit. Eu literalmente não me importava com o que estava sendo cantado, era só gritar e fazer a galera pular.
Agora eu quero sentir alguma coisa. Quero músicas que me façam sentir. “3AM” realmente faz isso comigo por razões muito específicas. Acho que nos últimos dois discos melhoramos muito nisso.
E como foi trabalhar com Jacoby Shaddix, do Papa Roach?
Dan: Foi incrível. Conhecemos o Papa Roach há mais de 20 anos, entre festivais e encontros ao longo do tempo. Acabamos virando amigos.
Ele é simplesmente o cara mais gente boa, provavelmente o mais gente boa do rock. Todo mundo sabe como ele é incrível.
Quando convidamos, ele foi super aberto e disse: “Claro, adoraria participar.” Tudo aconteceu de forma muito natural. Foi muito legal.
Vocês estão animados para levar este novo álbum para a estrada?
Ryan: Estamos nessa há muito tempo, desde que éramos literalmente crianças. Quando você pode tocar músicas novas ao vivo e o público gosta tanto quanto das músicas do primeiro disco, é a melhor sensação. Essas músicas também são muito divertidas de tocar. No fim do dia, isso precisa ser divertido. Nenhum de nós começou a fazer música para ficar rico ou virar celebridade. Sempre foi sobre a música. Eu estou aqui pela música e isso é divertido.
Vocês tocaram no Brasil no ano passado — eu inclusive fui a três shows. Como foi essa experiência para vocês?
Dan: Foi incrível. Acho que foi a melhor vez que estivemos no Brasil.
Já fomos três vezes, eu acho, e esses foram os shows mais grandes e mais insanos que já fizemos aí. Também pudemos encontrar nossos amigos do Yellowcard, Fall Out Boy e Good Charlotte. Foi um evento enorme e caótico, muito legal. Já tivemos experiências não tão boas no Brasil no passado, com promotores que não pagaram e coisas assim. Mas da última vez foi incrível.
Ryan: Os fãs brasileiros são excepcionalmente apaixonados. Quando você está no palco e vê aquele mar de pessoas com uma empolgação acima da média por você estar ali, é uma sensação absurda.
Qual música foi a mais divertida de gravar desta vez?
Dan: Gravar é sempre um processo intenso. Não sei se chega a ser “divertido”, mas é uma experiência incrível. Eu sempre sinto que preciso cantar o mais forte possível e garantir que tudo esteja ótimo. Mas nós nos divertimos, sim. Sempre que gravamos com o Colin é uma experiência muito legal, e trabalhar com o Kevin foi especialmente divertido.
Ryan: Estar no estúdio é minha parte favorita de estar numa banda. Ver a reação dos engenheiros e colaboradores quando o Dan começa a cantar é sempre incrível, especialmente quando ele começa a gritar. As pessoas quase se assustam de tão intenso que é. Não tem truque de estúdio, ele é realmente tudo isso. O Dan tem um tipo diferente de pressão. Se ele não dorme bem, várias coisas podem afetar a voz. Com guitarra é diferente, eu posso estar destruído que minhas mãos ainda funcionam. Mas, no geral, eu amo ouvir o disco ganhando forma. Essa parte é sempre divertida para mim.
Quais são as três músicas favoritas de vocês no novo álbum?
Dan: Isso muda o tempo todo, mas agora talvez “Into the Dark”, “Fall Away” e “3AM”.
Honestamente, amamos todas por motivos diferentes.
Ryan: As minhas são “3AM”, “Fall Away” e “I Don’t Want to Feel Like This Anymore”
Para finalizar, podem deixar uma mensagem para os fãs brasileiros?
Dan:
Obrigado por serem fãs tão apaixonados e por ouvirem nossa banda há mais de 20 anos. Esperamos voltar ao Brasil muito em breve.
Nós sempre nos divertimos muito aí. Obrigado!
Com “A.R.S.O.N.”, a banda reforça uma fase mais visceral e honesta, guiada menos por fórmulas e mais pela intuição. Entre riffs pesados, letras cada vez mais emocionais e uma conexão forte com o público brasileiro, o grupo mostra que mesmo após décadas de estrada, ainda encontra novas formas de evoluir sem perder a essência.
