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Benzina e Tartamudo lançam álbum colaborativo “As Ondas Estão no Ar”

O projeto eletrônico Benzina, de Edgard Scandurra, ganha uma nova fase com o lançamento de “As Ondas Estão no Ar”, álbum realizado em parceria com a dupla brasiliense Tartamudo, formada pelos multi-instrumentistas Zepedro Gollo e Wilton Rossi. O disco conecta rock, pós-punk e música eletrônica em uma colaboração que começou em 2022 e se desenvolveu entre Brasília e São Paulo.

O trabalho também reúne participações de Fausto Fawcett, João Parahyba, percussionista do Trio Mocotó, e Silvia Tape, que atualmente integra as Mercenárias ao lado de Sandra Coutinho.

Do encontro musical ao retorno do Benzina

A aproximação entre Scandurra e o Tartamudo começou em 2020, quando Wilton entrou em contato com o guitarrista para comprar uma guitarra Wurlitzer de 12 cordas que ele havia anunciado. A relação evoluiu para um convite musical: Edgard participou de uma releitura de “Convite ao Prazer”, da Gang 90 & Absurdettes, incluída no álbum de estreia da dupla, A Loop is a Loop is a Loop, lançado em 2022.

Depois, um show solo de Scandurra em Brasília, com participação do Tartamudo, abriu caminho para a parceria que resultaria no novo disco.

O projeto também marca o retorno do Benzina, nome artístico usado por Scandurra em sua incursão pela música eletrônica. Lançado originalmente em 1996, o projeto teve outros trabalhos ao longo dos anos, incluindo Dream Pop (2003), um álbum de remixes em 2004 e Amor Incondicional (2006).

Pós-punk, Madchester e música eletrônica

Em “As Ondas Estão no Ar”, as referências musicais dos artistas se encontram em uma sonoridade que aproxima diferentes momentos da música alternativa. De um lado, aparecem as guitarras angulares e a experimentação de bandas como Joy Division, The Cure, Gang of Four e Public Image Ltd. De outro, estão os grooves da cena de Manchester, com nomes como Stone Roses e Happy Mondays, além de elementos do trip hop, krautrock e música eletrônica experimental.

A conexão faz parte da trajetória dos músicos. Enquanto Scandurra encontrou na música eletrônica uma alternativa ao cenário roqueiro dos anos 1990, Zepedro e Wilton cresceram musicalmente influenciados pelo pós-punk e pelas transformações da cena independente brasileira.

Gravações entre Brasília e São Paulo

A primeira etapa da produção aconteceu em Brasília, onde os três músicos passaram uma semana trabalhando juntos. Parte das composições nasceu de bases antigas de Scandurra, incluindo equipamentos que ele utilizava nos primeiros anos do Benzina. Outras faixas surgiram de improvisações e sessões coletivas, seguindo o método de criação do Tartamudo.

Na segunda etapa, em São Paulo, o projeto ganhou participações vocais e instrumentais. Silvia Tape desenvolveu a letra e os vocais de “Ondas Estão no Ar” depois de ouvir as primeiras gravações. Fausto Fawcett participou de duas faixas: “Insetos nos Corações” e “Fora do Radar”, descrita por Scandurra como uma música mais solar e romântica do que o artista costuma fazer.

João Parahyba também ampliou sua contribuição durante as gravações. Convidado inicialmente para tocar em uma faixa, o percussionista acabou participando de quase todo o álbum, levando as músicas a caminhos inesperados.

Álbum prepara caminho para apresentações ao vivo

Com o lançamento de “As Ondas Estão no Ar”, o próximo passo é levar o repertório aos palcos. A proposta é reproduzir ao vivo o formato de criação do disco, utilizando as bases eletrônicas e melodias originais como ponto de partida para improvisações de guitarras e sintetizadores.

A parceria reúne diferentes gerações e trajetórias da música brasileira em um trabalho que recupera o espírito experimental do Benzina e o conecta à identidade sonora do Tartamudo.

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