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A Banda dos Corações Partidos lança EP Borrada sobre luto e violência doméstica

A Banda dos Corações Partidos, grupo de rock alternativo de Aracaju (SE), celebra 20 anos de trajetória com o lançamento de Borrada, EP de cinco faixas inéditas que marca uma mudança importante em sua história. Pela primeira vez, todas as letras são assinadas pela vocalista e atriz Diane Veloso, em parceria com o compositor e músico sergipano Alex Sant’Anna.

Disponível nas plataformas digitais, o trabalho deixa para trás parte do melodrama romântico que marcou os lançamentos anteriores para abordar temas mais ásperos, como luto, exaustão do corpo feminino e violência doméstica. O resultado é um registro denso, teatral e conectado às feridas sociais do presente.

Ouça Borrada: https://email.cloud.secureclick.net/c/1711?id=1009327.51541.1.28edbb1f670574c6549a2cea4f43bfa5

De Desamor a Borrada: uma nova fase para a banda

Nos trabalhos anteriores, a A Banda dos Corações Partidos explorava a melancolia romântica e o ressentimento afetivo, como mostram o EP Desamor (2017) e o álbum Canções de Ódio, Ressentimento e Abandono (2022).

Em Borrada, esse universo emocional ganha outras dimensões. O luto aparece como uma experiência física, enquanto a violência doméstica é abordada diretamente, sem recorrer a metáforas para amenizar o tema. As cinco faixas transitam entre o colapso íntimo e a brutalidade do cotidiano, transformando sentimentos difíceis em narrativas musicais intensas.

À frente desse percurso está Diane Veloso, que dá voz a experiências de um corpo feminino cansado, pressionado, irritado e fragmentado. Ao lado de Alex Sant’Anna, parceiro de composição de longa data, a artista transforma vivências íntimas em crônicas performáticas que refletem conflitos contemporâneos.

A banda também opta por apresentar o EP como uma obra coesa, que pede uma escuta atenta do começo ao fim, em vez de priorizar músicas isoladas pensadas para circular como singles.

O som de Borrada mistura rock, spoken word e melodrama

Produzido por Leo Airplane, tecladista presente desde a formação original, o EP aproxima o indie brasileiro do spoken word, do teatro melodramático e de paisagens sonoras sombrias. O rock permanece como base, mas os arranjos exploram caminhos menos convencionais, alternando momentos de tensão, fúria e calmaria.

Pianos, sintetizadores, samples e loops dividem espaço com a guitarra de Alexandre Gomes, a bateria de Josimar Santos e o baixo de Luno Torres. Os elementos eletrônicos e as mudanças de intensidade ampliam o impacto das letras e reforçam a atmosfera teatral do trabalho.

Desde o início, em 2006, a banda construiu sua identidade a partir da dor de cotovelo, das serestas e das antigas canções românticas do rádio. Essa herança permanece no arrebatamento dramático de Borrada, mas agora aparece envolta em guitarras, peso e escuridão.

A mudança representa uma ruptura estética sem abandonar uma das características centrais do grupo: transformar emoções extremas em performance musical.

EP aborda feminicídio e violência dentro de casa

A dimensão social de Borrada aparece logo na faixa de abertura. Em meio a referências a greves, feriados, Natais e desemprego, Diane insere um verso que denuncia mulheres assassinadas “por amor”, confrontando a expressão romântica com a realidade da violência de gênero.

O tema ganha ainda mais relevância diante dos dados brasileiros citados no material de divulgação. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025 — cerca de quatro mulheres por dia —, uma alta de 4% em relação ao ano anterior. O levantamento também aponta que, em 60,9% dos casos, o autor foi um parceiro íntimo da vítima.

As letras de Borrada direcionam o olhar para o ambiente doméstico, onde a violência pode permanecer escondida atrás da rotina, do casamento e da intimidade. Ao abordar o assunto sem disfarces, a banda transforma o EP em um registro artístico que dialoga com uma realidade urgente.

A trajetória da A Banda dos Corações Partidos

A Banda dos Corações Partidos nasceu em 2006, a partir da experiência de Diane Veloso em uma oficina de teatro melodramático. A proposta inicial de explorar a dor de cotovelo ganhou forma musical com uma estética que combina dramatização, romantismo e rock.

Ao longo da carreira, o grupo participou de eventos como o Festival de Artes de São Cristóvão, em diferentes edições, a Virada Cultural de São Paulo, em 2017, o Conexão Vivo, em Recife, em 2009, e o Projeto Periférico, na Escola Sesc do Rio de Janeiro, em 2012. Também integrou festivais sergipanos como Zons, Rock Sertão e Projeto Verão.

A banda expandiu sua atuação para o audiovisual, cedendo músicas para os curtas Enquanto você não chega (2024), dirigido por Vinicius Borges, e A minha saudade num retrato eu guardei (2025), de Mony Mendonça e Julie Santos. Suas canções também integram a série Chão de Estrelas (2021), dirigida por Hilton Lacerda e Milena Times e exibida no Canal Brasil.

A discografia começou com o EP Corações Partidos, em 2012, seguido pelo álbum homônimo, lançado dois anos depois. Vieram o EP Desamor (2017), os singles “Offline” (2019), “Faz Casa” (2020) e “E se Amanhecer?”, além do álbum Canções de Ódio, Ressentimento e Abandono e do show Coretos, Serestas e Corações Partidos, ambos lançados em 2022.

Com Borrada, a banda chega às duas décadas de estrada ampliando os limites de sua própria linguagem e encarando temas que atravessam a vida íntima e a sociedade.

Ficha técnica de Borrada

  • Produção musical: Leo Airplane
  • Produção executiva: Alex Sant’Anna
  • Gravação: FabSounds e DDB Estúdio, por Leo Airplane
  • Mixagem e masterização: Leo Airplane, no DDB Estúdio
  • Conceito e arte: Vanessa Passos
  • Fotografia: Pritty Reis
  • Figurino: Iris Rocha
  • Composições: Diane Veloso e Alex Sant’Anna, exceto “Carmenere”, composta por Diane Veloso, Alex Sant’Anna e Sidnei Cruz

Integrantes e instrumentos na gravação:

  • Alexandre Gomes — guitarra
  • Diane Veloso — voz
  • Josimar Santos — bateria
  • Leo Airplane — teclados, piano, sintetizadores, samples e loops
  • Luno Torres — baixo

O projeto recebeu apoio do Edital de Chamamento Público nº 07/2023 — Ilma Fontes, do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), com recursos da Lei Complementar nº 195/2022, conhecida como Lei Paulo Gustavo.

O EP Borrada já está disponível nas plataformas digitais.

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