A banda Supercombo lança nesta sexta-feira (10) a segunda parte do álbum Caranguejo, completando um projeto concebido desde o início em dois tempos. O novo capítulo chega pela Deckdisc e reúne oito músicas inéditas, encerrando o arco criativo iniciado com a Parte 1.
Após rodar o país em 2025 com shows em diferentes formatos e estados, a banda apresenta agora a versão completa do disco, que passa a contar com 15 faixas.
Um álbum pensado em duas etapas
A decisão de dividir Caranguejo em duas partes surgiu da intenção de dar mais tempo de respiro para as músicas, fugindo da lógica acelerada dos lançamentos por single.
A Parte 2 se conecta diretamente com a primeira, mas propõe novos climas, ritmos e atmosferas. O resultado amplia o universo do álbum sem perder sua unidade conceitual.
Sonoridade: expansão sem ruptura
Musicalmente, o rock segue como base da Supercombo, mas agora cercado por influências mais abertas, incluindo elementos do pop contemporâneo, música urbana e eletrônica.
As novas faixas exploram contrastes de dinâmica, mudanças de andamento e variações de ambiência, alternando momentos mais intensos com passagens introspectivas, mantendo a identidade da banda centrada em riffs marcantes, melodias fortes e letras do cotidiano.
Destaques das faixas
A transição entre as duas partes do álbum já aparece na abertura:
- “Combustão” funciona como vinheta e ponte direta entre os dois blocos
- “Deixa a Maré Te Levar” traz mais peso e energia, com riff marcante
- “Deixar Pra Lá” dialoga com “Alento”, aprofundando a narrativa pessoal de Léo Ramos
A faixa “Como Se Fosse Ontem” adiciona uma camada nostálgica, com referências a locadoras, lan houses e vivências da adolescência — sem romantizar o passado, mas conectando memória e presente.
Produção mais ambiciosa da carreira
Caranguejo se consolida como o trabalho mais produzido da banda até agora. O grupo passou mais tempo em estúdio, refinando arranjos, timbres e camadas.
A produção e pós-produção ficam novamente por conta de Victor de Souza (Jotta), que contribui com influências do pop e da eletrônica, resultando em um som mais detalhado e com acabamento mais hi-fi, especialmente em comparação com trabalhos anteriores como Remédios (2023).
Conceito do álbum
O nome Caranguejo surgiu ainda na pré-produção, a partir da ideia de músicas que parecem seguir em direções diferentes, como o movimento do animal. A metáfora acabou se tornando o eixo conceitual do disco, representando deslocamento, mudança e construção não linear.
Um projeto completo
Com a Parte 2, Caranguejo se apresenta em sua forma final: um álbum coeso, pensado como percurso. O lançamento reforça um momento de maturidade criativa da Supercombo e sua proposta de desenvolver trabalhos que vão além da lógica fragmentada do mercado.
